1. UM PASSEIO PELA EUROPA ORIENTAL

I.2. BONO/BUDAPESTE/HUNGRIA

 

Sempre tive um interesse especial pela Hungria, pela sua história, pelos seus vinhos. Budapeste, sua capital, foi onde escolhi ficar.

 

Ocorre que chegando a BH, a rotina, os problemas do cotidiano, näo me inspiravam e acabei deixando a idéia de escrever sobre Budapeste de lado.

 

Por obra do destino, no entanto, conheci Bono, um cachorro de origem húngara, muito simpático, elegante, sedutor. De personalidade forte e marcante, me lembrou os húngaros. A Hungria. Budapeste. Bono me inspirou.

 

A cidade tem uma história riquíssima. Já era habitada na pré-história por diferentes culturas da Idade da Pedra, do Bronze e do Ferro. Na época pré-cristā, tribos citas e celtas foram seguidas  pelos romanos do sec I e, depois, pelos guerreiros hunos. Devastadas pelos tártaros, invadidas pelos mongóis e depois pelos turcos e reconquistadas pelas tropas cristās, foi sob o domínio dos Habsburgos que Buda e Peste recuperaram sua importância cultural e econômica (eram duas cidades diferentes, cortadas pelo Rio Danubio).

 

Nessa época, Sissi, a impetratriz, foi a figura marcante. Linda, amada pelo povo, infeliz. Diferentemente do seu marido Fernando I, Sissi adotou a Hungria, onde, dizem, possuía um amante que provavelmente foi o pai da sua filha predileta, Maria Tereza, e onde passava a maior parte dos seus dias.

 

Levou a arte, a beleza, o dourado para a capital do país. Exemplo disso foi a ópera de Budapeste, uma obra de arte arquitetônica e na qual tive o privilégio de assistir, emocionada, Tosca, de Puccini.

 

Em 1872 houve a unificação de Buda, Peste e Óbuda, atual Budapeste, que foi novamente destruída na Primeira Guerra Mundial, na 2a Guerra pelos Alemães em fuga e, de novo, em 1956 pela Rússia.

 

Em cada invasão, em cada reconstrução, a cidade foi se aperfeiçoando especialmente nos aspectos culturais e arquitetônicos. Hoje, Budapeste é um caldeirão cultural.

 

No meu primeiro dia na capital húngara, conheci Nora. Estudante de economia, linda, inteligente, interessante. Fala um português perfeito simplesmente porque ama o Brasil, joga capoeira e sonha em conhecer nosso país. Nora me apresentou a rica história do seu país e os seus deliciosos vinhos. Nos divertimos juntas, trocamos experiências. Ficará hospedada em minha casa em 2015 e realizará seu sonho de pisar em terras brasileiras.

 

Andando pelas ruas da cidade pude perceber uma mistura impressionantemente bela das artes ocidentais e sua elegância e orientais com suas cores vivas. A Sinagoga com o seu riquíssimo museu, a visita pré-agendada ao Parlamento, a Catedral, a Belíssima Igreja de Matias em Buda, enfim, Budapeste me pareceu infinita em cultura, beleza, arte, história, romantismo e os três dias em que passei lá foram pouco pra tanta coisa a ser descoberta e vivenciada.

 

À noite Budapeste e seus monumentos se iluminam e emprestam à cidade um ar de romance inigualável e tranquilo, superando, nesse aspecto, Paris e outras capitais ocidentais sempre lotadas. Divertida e animada, a noite na cidade é agitada, alegre. Adorei os restaurantes e bares na região do entorno da Catedral onde experimentei o famoso e delicioso fígado de ganso e fiz uma degustação harmonizada simplesmente incrível dos vinhos nacionais.

 

Como Bono, a Hungria, Budapeste, seu povo, me encantaram. Valeu, Bono, por me inspirar nas longas tardes em que temos passado juntos enquanto trabalho e por me fazer lembrar de momentos especiais, alegres, regados a excelentes vinhos, pelos quais passei na Hungria, lugar que pretendo voltar em breve.

Por Carol Vilela